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Cuidados

por WAndrade, em 19.04.14

Girassol, bem queria falar contigo hoje.

Agradecer com flores e abraços por teres ficado,

quando a vida fingiu que não viu.

Beijar teus olhos de mel, que viram carinho

onde nem eu queria bem olhar.

Pegar tua mãozinha delicada, que cuidou do dói-dói

como quem brinca de flor, e amarrar na minha como quem quer casar.

Enfim, beijar tua boca doce, doce de fruta tão doce e, ali, dentro dela

te dizer…

ah, deixa...se quiasesses ouvir...

 

Para o girassol que cuidou de mim.

WAndrade – 16/04/2014  

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publicado às 08:37

New Season

por WAndrade, em 19.09.13

Ora bem!!!!  Sim, senhor!!!

Após tão benfazejas e visionárias, acabam-se as férias e vemos,

com o entusiasmo de um robalo frito, a reabertura do… “congresso”

que, aspirante a sucessos flauteados, “esbalda-se”  na dinastia acochambrada.

Óh convívio exuberante inculcado de gargalhos, piseiro de achincalhos em

demonstrações inócuas de “galhardias”!

Veremos outra vez estender-se a balda no reduzido palco,

o lupanar de garbo pretendido que, como já se sabe,

é tão desprovido de qualquer essência nobre ou meritória.

Pois bem, vamos a isso, no mínimo, desfrutaremos, na troça, claro,

dos risos espalhafatosos e desprivilegiados,

das “arfâncias” excorgitadas, dos "plangores" chamativos e gorados

(como sempre), encruados nestas almas cruas e seus instintos velhacos.   

 

Wandrade - 19/09/2013

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publicado às 00:04

Cenário

por WAndrade, em 23.05.13

Não, não corras para enfeitar o que só te deleitará a desforra fútil.

É escusado.

Teus sonhos não moram aí,

não é nesse leito que escorrem teus rios.

Esta ilusão embaraçada só te gasta,

na força que fazes para espantar-me de ti.

Não é aí que encontras o céu quando abres os olhos e

não vês os meus, navegados nos teus doces suspiros.

Não, não corras a mostrar-me um brilho que não te cobre.

Descubro-te nas tuas pisadas trémulas,

ainda que as insistas nobres.

Não é aí que encontrarás os braços que te carregam,

nave, nos carinhos do depois…

Ah, tua investida insólida de negar-me em teus devaneios e desejos…

não é aí que choras a emoção do teu prazer delicado e mais intenso…

delicado e mais intenso…delicado e mais, mais, mais…

Creia, não é aí…ainda que tentes, em sofreguidão,

arrancar de ti volúpias e frissons...és tua própria armadilha...

Ainda que passeies teus dias na novidade para esmagar-me

nas tuas lembranças, ainda que vistoso seja o caminho que ora exploras,

na ânsia de encontrar algum porto, não é aí, sabes bem, sabes bem...

assim como sabes onde deixaste o que sempre fará teus olhos

cintilantes e não dormentes e pobres como agora.

Não, não corras… mas se a ti regalam procuras  e a indiferença de te mostrares vulgar,

continua a tentar, meu bem…continua a tentar.     

WAndrade – 15/05/2013

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publicado às 14:07

Ilusão

por WAndrade, em 14.05.13

A gargalhada histérica e deseducada ressoou rua a fora...

definitivamente não combinava com os olhos apagados e inertes

e nem com as rugas já tão desenhadas na cara que insistia em mentir

a alegria dos parvos, tolos, tolos...

Ah, criança não fosse teu feitio tão magro de firmeza, tão insóbrio e pouco

pensaria pegar-te outra vez ao colo, aninhar-te como nunca o tiveste

e com as mãos de jardineiro que um dia moldaram-te a flor

e bem mais os espinhos, levar-te aos céus que conheceste

com elas e só com elas...mas não, não agora que perdes-te

em ilusões tacanhas...não agora.

Agora deleito-me apenas a assistir, em cena aberta, o que tentas em vão.

Quando o sol te torturar de enfado e a lua te abandonar, matreira

hás de achar-me, sabes onde...por enquanto,

continua a tentar, meu bem, continua a tentar...

WAndrade - 14/05/2013

 

Misturado

Mentir... para si mesmo, pois que precisar acreditar tanto no

próprio embuste o torna realidade.

Por um ínfimo e  ilusório minuto.

Enfeitar um palco de miragens tendo como pano de fundo

lembranças que se deseja esmagar. Sem sucesso.

Dar-se… aos gritos e gemidos flácidos, franqueados ao público,

na ânsia desesperada de atingir o… que não consegue,

na ânsia desesperada de sentir o que, afinal, não se vem.

Sentir a necessidade de a alma, ressentida, extraviar o dano, ignorando

que esta, quanto mais vingada, mais requer agravo e menos se sente farta.

Usar pessoas para intuitos vagos e imprecisos e mesmo assim

não extinguir o que se lhe consome.

Olhar para o lado e perceber, sem nuvens que, ainda que a vida lhe tenha

socorrido com um ostentoso ornamento, esta daria para ter ao lado,

outra vez, aquilo que agora tenta em vão abolir  da própria existência.

WAndrade - 26/05/2013

Troco

Menino, que suadeira!

Isso lá é vida? Ontem lá, hoje talvez, amanhãs sem dono,

rastos se espalham, vários, pela batalha do desafronto, óh dó!

Há manhãs fugidas, corridas e retornos ao de outrem,

valha-nos a santa! Vale a pena?

Nada é de jeito, façanhas passam e só mormaço despela a alma.

O véu da novidade é inclemente como tudo, ao cair instala cansaço e fel.

Peripécias fugidias, sem onde para descansar, enfadam.

Variâncias intermináveis embaçam e toscam o que era para ser bom.

Mas bom é o que se pretende verdadeiro e não de feitio torto,

espalhafato barato, para ostentar contentamento e gozo.

WAndrade - 26/05/2013

Contrário

Desculpe, mas não deveriam ser olhos a pingar estrelas quando piscam?

Ou uma tranquilidade quase monástica, aquela aura

de leveza que se percebe ao longe?

Ou ainda aquele sorriso bobo, por nada, por tudo, um cintilar

no corpo todo, que faz quem vê se admirar?

Não era para instalar-se no corpo a formosura fresca dos

diletantes do intenso?

E não seria caso para afagar-se em vestes de fadas, bonitezas à mostra?  

Ou muito me engano mas há fastio nesta intenção de farto,

há soslaios inquietos, uma mira enviesada e casmurra, uma qualquer dose

contrafeita no proveito.

Na alma desfiada em maleita, a instância da cedência é clara, muito clara.

Tudo rubra ao contrário no desvigor de tamanha ânsia de castigo,

ao contrário, muito ao contrário.

WAndrade - 26/05/2013

 

 

 

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publicado às 11:24


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