Mas, por ser amor, sabe pedir desculpas e dizer: foi por ciúme, foi pela dor insuportável da perda. O amor erra, quando perde o rumo e desnorteia, desfalece e sangra.
Eu sangrei, talvez ainda sangre, mas tenho a dignidade de dizer errei. Errei, na minha dor, quando fui má, quando não soube doer e menti a respeito de quem é o maior amor q já tive na vida.
Desculpas devo a todos com quem compartilhei essa dor sangrada. A dor era minha, mas as razões eram inverdades.
Amo muito e por isso pequei, perjurei e ofendi. Maltratei meu maior amor porque perdi o chão, os lados, a frente e um imenso pedaço de mim mesma, quando me vi sem o meu amor.
Perdão devo ao meu amor. Perdão, meu grande amor, por ter sido injusta e cruel. Foi a dor da falta do teu abraço, do teu beijo, da tua presença.
Assim como fui, nesses últimos meses, uma pessoa, apesar de dolorida e sangrada, má e injusta, hoje quero me redimir. Sei q não será fácil, mas confio no meu amor, na estória sincera q tenho construído, na firmeza dos meus sentimentos.
Quero, sinceramente, pedir perdão pelas palavras e contos e prosas onde falei o que meu coração dorido me instigava.
Fiz feio e quero que todos saibam q muito, ou tudo o que disse foi fruto do ciúme, da dor, do despeito e da saudade!
Meu amor continua e sempre continuará aqui, só q o “inferno” agora apenas será portador desse sentimento q me faz viva e me ensina, cada vez mais a viver!
Desculpem meus amigos, Perdão, meu amor!
Antes de voltar à saga "kit-kort WanWan", divido com quem quiser essa maravilha q recebi. Claro q chorei muito, é tudo por q passei, mas creio q ainda verei q valeram todas as penas...quero mesmo crer nisso!
"Vende-se Tudo - Martha Medeiros
No mural do colégio da minha filha encontrei um cartaz escrito por uma mãe, avisando que estava vendendo tudo o que ela tinha em casa, pois a família voltaria a morar nos Estados Unidos.
O cartaz dava o endereço do bazar e o horário de atendimento. Uma outra mãe, ao meu lado, comentou:
- Que coisa triste ter que vender tudo que se tem.
- Não é não, respondi, já passei por isso e é uma lição de vida.
Morei uma época no Chile e, na hora de voltar ao Brasil, trouxe comigo
apenas umas poucas gravuras, uns livros e uns tapetes. O resto vendi tudo, e
por tudo entenda-se: fogão, camas, louça, liquidificador, sala de jantar, aparelho de som, tudo o que compõe uma casa.
Como eu não conhecia muita gente na cidade, meu marido anunciou o bazar no seu local de trabalho e esperamos sentados que alguém aparecesse. Sentados no chão. O sofá foi o primeiro que se foi. Às vezes o interfone tocava às 11 da noite e era alguém que tinha ouvido comentar que ali estava se vendendo uma estante.
Eu convidava pra subir e em dez minutos negociávamos um belo desconto. Além disso, eu sempre dava um abridor de vinho ou um saleiro de brinde, e lá se iam meus móveis e minhas bugigangas. Um troço maluco: estranhos entravam na minha casa e desfalcavam o meu lar, que a cada dia ficava mais nu, mais sem alma.
No penúltimo dia, ficamos só com o colchão no chão, a geladeira e a tevê. No
último, só com o colchão, que o zelador comprou e, compreensivo, topou
esperar a gente ir embora antes de buscar. Ganhou de brinde os travesseiros..
Guardo esses últimos dias no Chile como o momento da minha vida em que
aprendi a irrelevância de quase tudo o que é material. Nunca mais me apeguei
a nada que não tivesse valor afetivo. Deixei de lado o zelo excessivo por
coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar.
Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que torna-se cada vez
mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa
o tempo que estiveram presentes na minha vida... Desejo para essa mulher que está vendendo suas coisas para voltar aos Estados Unidos a mesma emoção que tive na minha última noite no Chile. Dormimos no mesmo colchão, eu, meu marido e minha filha, que na época tinha 2 anos de idade.. As roupas já estavam guardadas nas malas. Fazia muito frio.
Ao acordarmos, uma vizinha simpática nos ofereceu o café da manhã, já que
não tínhamos nem uma xícara em casa.
Fomos embora carregando apenas o que havíamos vivido, levando as emoções todas: nenhuma recordação foi vendida ou entregue como brinde... Não pagamos excesso de bagagem e chegamos aqui com outro tipo de leveza..
.... só possuímos na vida o que dela pudermos levar ao partir "
Então vou começar falando q teria mesmo muito a fazer no caso do erro sério, mas penso q tudo tem um motivo de ser.
Não cheguei a contar e vou apenas pincelar. Já passou...
No tal melhor hospital, aquele em o Sr. Dr. perguntou se eu "preferia " tirar a mama toda ou apenas um pedaço...aquele em q eu ia fazer quimioterápia (conforme explicou a "srª não sei quê errrrpaanôla"), aquele dos 438 exames de metástases q fiz e onde dizia q eu tinha um tumor de 3,6cm na mama direita e mais um................enfim, lembram disso, não é??
Óquêi!
Inferno dos meus tantos ais, já fiz a cirurgia, em outro hospital, com uma médica fabulástica, das boas inspirações do Deus, sacam?
Primeira consulta com ela, primeira pergunta dela p mim: "Wania, o que é q vc quer?"
Minha resposta: "quero meu corpo inteiro.
E ela, agora vamos começar o seu exame.
"Examina, mulata, examina! Examina, tô examinando"
Não dá, Wania, com esses resultados, temos q tirar a mama toda.
Acho q a partir daí, quem acompanha o inferno já lembra, q eu ia tirar a mama e o caralho (gente, isso ficou engraçado, eu não ia, claro, tirar o caralho...risos) aquele chororô todo, cirurgia total marcada, aquela porra toda...
O q vcs não sabem é q ela, minha médica (quem tem competência e responsabilidade é outro departamento), solicitou as primeiras mamografias e radiografias feitas para poder organizar a cirurgia.
Quando estas chegaram, SURPRESA!!!!!!!!! O nódulo NÃO tinha 3,6cm e sim 1,9cm.
Galera, a casa caiu! Ela ficou passada, eu fiquei com cara de "sambambaia de prásco", até pq entendo de máquina e não de gente, lembram? (Eu trabalho com computadores - graças ao Deus).
Um auê! Ela, dignidade é o tom, não quis abrir a boca em relação ao colega q fez as mamografias e teve q mudar toda a engrenagem da minha cirurgia. Resultado, não precisei retirar toda a mama, e ainda fiz a histerectomia que tanto precisava, tudo no mesmo "kit e kort - WanWan" .
Da cirurgia só lembro de o teto sumir...
de uma porrada muito da bem dada, aquela de estalar, de doer as mãos...risos!
Obrigada, minha irmã, vc é sempre sábia!
Obrigada, minha prima, disse a coisa certa, na hora certa.
Joana, vc mal chegou e mudou tanta coisa, obrigada!
Aqui em frente de casa, há uma construção antiga, degradada, mas muito bonita apesar, onde vive uma imensa família de pombos.
Aqui embaixo do prédio do lugar estranho há a loja de um fotógrafo, carrancudo, fechadão e q trata a mulher aos solavancos, dá ordens, dá broncas, essas coisas...e eu sempre vendo-os juntos, sempre juntos, eles trabalham juntos, vão à procissão (aqui há muitas)...ela sempre afável com ele, sempre na conversa os dois, apesar.
Me perguntei, desde q aqui cheguei, como ela suportava isso, q se fosse eu..., eu faria...eu não deixava barato...que isso não era um homem...aquelas coisas...
Até q ontem, num momento de janela, vi. O tal carrancudo, com um pacote de papel de pão, espalhando farelos p a família de pombos.
Entendi, na hora, aquela mulher...
Semana passada voltei p ele. Não vou conseguir descrever o q foi essa emoção...com ele sei o exatíssimo sentido da palavra intimidade. Nada de segredos ou mentiras, ele, eu, um som e tudo, tudo faz sentido.
Quero falar de uma pessoa, por quem a cada dia me apaixono mais e mais, minha irmã Andréa.
Minha caçula, tenho tanto a te dizer mas fico emocionada só de pensar. Minha menina, linda mulher, muito, mas muito mais adulta do que eu - porém tão emocional quanto - firme, altiva, simples e bela como as águas de oxum.
Minha razão quando estou perdida, minha esperança, quando já não tenho riso, meu passo certo, quando faço/penso besteira, minha amiga, minha confidente. Mãe da paixão melhor que tive na vida, Odara. E minha afilhada! Deus, dessa vez vc me deu mesmo um presente.
Não sei, bolinha, se tenho estofo para ser tua madrinha ( vc é sábia e eu te ouço e aprendo sempre), mas amor, tenha a certeza, tenho muito, muito para te dar.
Obrigada por tudo, sem vc teria sido impossível!
Te amo, irmã!